Prevenção de pestes e pragas pela melhor nutrição vegetal - Parte 2


#1

Texto extraído da página “Ana Maria Primavesi” no Facebook

Leia a “Parte 1” aqui!

Na visão holística, a rigor, na natureza não existem parasitas. Existe:

a) o ciclo da vida. Este ciclo depende da formação e decomposição da matéria orgânica;

b) a seleção de tudo que é vigoroso e a eliminação de tudo que é fraco, doente ou morto para evitar que a vida se degenere

c) uma cadeia alimentícia ou, se quiser, pirâmide alimentícia entre os seres vivos no solo onde o predador sempre vira presa de um ser mais desenvolvido. Daqui deriva o “inimigo natural” que, de fato somente é o controle de todos por todos, onde os mais fortes sobram para perpetuar a espécie e garantir a diversidade máxima da vida.

A planta é o único ser no mundo que transforma energia livre (a solar) para energia química em presença de gás carbônico, água e com a ajuda de minerais. É a matéria orgânica que serve de alimento para animais e homens. Os insetos e microrganismos reciclam toda matéria orgânica quando morta (ou de qualquer maneira imprestável para a vida), a energia livre, gás carbônico e água liberando os minerais. O ciclo da vida se fechou e pode iniciar-se novamente. A vida continua.

Formação e decomposição de matéria orgânica fazem parte da vida, sendo a eliminação de tudo que for morto, doente, debilitado ou fraco tão importante como a formação de matéria. Nada pode comprometer a vida ou ocupar seu espaço. Mas para que insetos e microrganismos não destruam plantas em pleno vigor, eles estão “programados” através de enzimas para determinadas estruturas químicas, ou seja, substâncias que não ocorrem em plantas saudáveis e adaptadas.

Saudável é uma planta que conseguiu formar todas as substâncias e que geneticamente for capacitada como proteínas, açúcares e ácidos graxos de elevado peso molecular, substâncias aromáticas, vitaminas, hormônios, fenois para sua defesa e outras. Se por alguma razão, por exemplo, os aminoácidos permanecerem livres sem formar proteínas, e os açúcares permanecerem com baixo peso molecular, a planta é doente. As substâncias semi-fabricadas acumulam-se na seiva. Assim, a natureza libera a planta para a sua eliminação. Insetos ou micróbios atacam.

Com os defensivos, tanto químicos, orgânicos ou biológicos, mata-se o parasita mas a planta continua doente, de muito baixo valor biológico. Uma planta dessas pode alimentar alguém mas nunca nutrir. Por enquanto, o ser humano insiste em comer o que a natureza condenou como imprestável para a vida plena, defendendo-a com tóxicos.

Para ser sadia a planta necessita de um solo sadio sem impedimento do desenvolvimento radicular, mas ela necessita também de:

1- nutrientes em equilíbrio no solo. NPK não enriquece o solo mas desequilibra os micronutrientes, esgotando-os.

2- suficiente água no solo para poder absorver os nutrientes. Isso depende de uma superfície porosa do solo, estável à ação cinética das chuvas.

3- oxigênio no solo, que depende da porosidade superficial para que não ocorra a redução dos nutrientes como:
SO3 para SH2
NO3 para NH2 e para N2, que facilmente se perde para o ar
Mn3 para Mn2 que é tóxico, etc.

4-uma temperatura do solo inferior a 32 Graus C (no algodão pode ser até 36 graus C). Isto exige uma estrutura grumosa que aquece menos que um solo compactado ou adensado e a proteção da superfície.

5- Um potencial radicular ativo, que em princípio é geneticamente fixado mas que depende da fotossíntese e do envio de grupos carboxílicos (COOH-) à raiz.

6- do pH do solo, da disponibilidade de nutrientes segundo a acidez e à presença ou ausência de compostos tóxicos como de alumínio ou manganês.

7- de suficiente cálcio no solo, que, independentemente do pH, é a base da absorção ativa dos íons.