Manejo Ecológico de Solos e a problemática de certos projetos "Sintrópicos"


#1

Salve gente!
Queria deixar um alerta para a camaradagem que está se aventurando pela alegria de fazer agrofloresta, plantar o próprio alimento, desurbanizar-se.
Recentemente tive que replanejar todo um projeto que foi custoso à um grande amigo, principalmente pela orientação de manejo do solo.
Como agroecologista, pude estudar um pouco de manejo dos solos tropicais, legado deixado pela Mestra Ana Primavesi. Acontece que, em meio aos coletivos e movimentos que seguem, de forma frequentemente dogmática, o sr. Ernst Gotsch, algumas atrocidades com o solo e por conseguinte danosas à produção, ao meio ambiente e à mão de obra demandada, além de tempo, para reconstituir os solos, são levadas à cabo.
Escrevo isso porque presenciei um cenário assim. Um amigo que necessitva iniciar plantios para sustento familiar foi orientado, de acordo com o projetista, à subssolar (! nem os canaviais fazem tal prática mais, de tão retrógrada, pesada e desnecessária), arar, gradear e sulcar a área para que fosse iniciada a implantação de um agroflorestas com foco em hortaliças e frutíferas.
O projetista não possui formação agronômica, o que acho mais compreensível. Mas o projeto, segundo ele, era cópia de um famoso sitio…
Me questiono o quão próximo da agroecologia estão tais praticas agroflorestais, e se há de fato consciência sobre a gravidade de tais orientações à pessoas iniciantes nas práticas agrícolas.
Gostaria de deixar o aprendizado e a reflexão: O que propagamos tem base e fundamento? Ou é só mera repetição de verdades rasas pré-estabelecidas, como dogmas?
Pois muito tenho visto em nome de uma suposta agricultura sintrópica. Nada é tão simples à ponto de se resumir em princípios universais - cada fitofisionomia tem sua dinâmica, cada solo reage de um jeito, e cada ano agrícola é único.
Cuidado, com projetos prontos, com verdades pré-estabelecidas. ESTUDE! Afinal, agricultura é muito complexa, não se inicia plantando bem da noite pro dia. O manejo de solos tropicais infelizmente ainda é pouco praticado no Brasil, tendo sido há décadas solapado por um modelo de agricultura baseada em climas temperados, e menos ainda, familiares.
A gradagem, que seja, realizada várias vezes seguidas exaure toda matéria orgânica já presente no solo, revolve, de forma que os horizontes se misturam, os microorganismos anaeróbicos entram em contato com oxigênio, quebram-se todos agregados já estabelecidos, e pulveriza-se o solo. Em alguns casos pode valer a pena sim, mas sempre sob medida e no ponto correto de umidade do solo.


#2

Interessante ponto de reflexão…


#3

Salve…
Fantástico seu alerta! Em partes tenho experenciado aqui muito disso q vc esta alertando… como somos auto-didatas nessa experiência de torna-se agricultor muitas “formulas mágicas” de internet temos feito… mas aí optamos por pequenos passos, muito estudo e muitíssima observação. Sobre Ana Primavesi, tem sido nossa fonte principal de leitura e o que sentimos é uma grande falta de orientação aqui na região… Os profissionais agrônomos daqui mal sabem sobre agroecologia… penso sempre em como ter acesso e ter visitas de agroecologistas aqui, sem altos custos…