Como montar um consórcio

consorcio

#1

Para montar um consórcio o importante é se basear nos fundamentos para montar o consórcio, que são:

Definições:
1. Ocupação: Cada espécie tem ocupação horizontal ( X ) e vertical ( Y ) no tempo ( Z ). Você precisa saber delas antecipadamente.
2. Luz solar: Cada espécie tem uma necessidade de luz solar, algumas somente vão em sol pleno ( estágio incial somente ou todo o tempo, outras aceitam meia sombra como, por exemplo a rúcula precisa de sol quando é muda, mas no final do seu ciclo de colheita, pode estar um pouco sombreada, já o Inhame aceita meia sombra em todos os estágios.
3. Otimização: O objetivo do consórcio é maximizar o aproveitamento do espaço, fazendo com que as plantas mais rápidas saiam em sincronia com as plantas mais lentas na medida que ela se aproximam, evitando um “conflito” de espaçamento, ou seja, duas plantas brigando por espaço e luz.

O “algoritmo” para montagem do consórcio:

  1. Evitar plantas antagônicas

  2. Escolha o ciclo completo (da planta mais demorada) do consórcio, pode ser um ciclo de 45, 60, 90, 120 por exemplo.

  3. Ao escolher ciclo completo do consórcio, por exemplo 90 dias, você pode escolher plantas companheiras que irão gradualmente sair antes dos 90 dias, evitando com que haja sobreposição além do tolerável delas na sua ocupação horizontal X e vertical Y . Por exemplo um canteiro com 80cm largura:

    • Ciclo completo (planta mais demorada): Brócolis Ramoso tem ciclo de Z = 70 à 100 dias e espaçamento convencional, X = 50cm ; Y = 1m. Logo ele cabe no centro do canteiro, com espaçamento X = 50cm.

Desenho%20sem%20t%C3%ADtulo%20(1)
Brócolis a cada 50cm.

  • Você tem espaço nas laterais do canteiros E entre os brócolis. Nas laterais, você poderia entrar com a rúcula que sai em Z = 30 dias, plantada a cada X = 5cm.

Desenho%20sem%20t%C3%ADtulo%20(2)

Rúculas nas laterais a cada 5cm.

  • Ainda sobraria um espaço entre os brocólis, no meio, que poderia entrar com a beterraba Z = 45 dias, X = 10cm

Desenho%20sem%20t%C3%ADtulo%20(3)

Beterraba. Ressaltei com o círculo no Brocólis como a ocupação final dele entra nas áreas dos outros cultivos que devem sair antes.

Bom, este é apenas um exemplo bem simples. Como falei as possibilidades são muitas e varia também de acordo com a sua necessidade. Neste caso por exemplo, talvez você tenha muita rúcula ao final, então poderia alternar rúcula com beterra nas laterais e colocar no centro a Catalhonha, que aceita um pouco de sombra e tem um espaço X pequeno e cresce bastante na vertical Y, assim você teria 4 cultivos no mesmo canteiro, ao invés de 3.

Eu costumo plantar bem adensado, pois tem vários benefícios, as plantas ficam mais protegidas do vento, menos sol chega no chão, evitando perda de água e melhorando condições de microvida, entretanto algumas espécies como alface “percebem” quando outras plantas estão muito próximas e podem estiolar ou ficar fora do “padrão”, fique atento à isso.

É um exercício e prática vai afinando! :wink:


#2

Plantio Consorciado
#3

Olá Michel? Vc aceita uma critica? Pra gente ter oportunidade de melhorar também?


#4

Fala Pedro! Claro, é uma construção colaborativa aqui, inclusive acho que precisa ser mais didática essa minha explicação. :wink:

O fórum também tem um recurso de Wiki e gostaria que este tópico se transformasse num Wiki com uma explicação didática e construída por várias pessoas, bora ajudar?


#5

Massa…

Eu estou adorando acompanhar o grupo, estou plantando e estou bem feliz com os resultados. Fiquei examinando quando tu disse

“… evitando um conflito, ou seja, duas plantas brigando por espaços e luz… 1. Evitar plantas antagonicas”

Eu pude entender que, com as palavras do Ernts:
http://media0.agrofloresta.net/static/audio/alelopatia.htm

E também entendi que quando há sobreposição de estratificação, e alguns outros motivos é uma das plantas que se retira, é ela que deixa o amido disponível, é ela que seca o ponteiro, é ela que perde vigor, é o amor incondicional, como me lembro de ter ouvido do Ernst: é o unico ser vivo que entra em detrimento próprio pra beneficiar outra espécie.
Não cabe a lógica da competição, da concorrência. Existe maneiras de entender, o importante é a gente buscar entender da melhor maneira. Nè?!


#6

Quem sou eu pra desafiar os mestres rs…compreendo a visão do Ernst, sobre a não competição fria, mas da colaboração entre espécies e acho que ele demonstrou isso com o próprio Eucalipto criando a linha de árvores, que virou um modelo bem padrão nas agroflorestas. Mas acredito na existência da alelopatia, inclusive pela minha pouca experiência na minha primeira área de SAF tive uma forte indicação de alelopatia.

Plantei duas linhas de árvores com: bananas, mamão e outras árvores de sementes, com distância de apenas 4m entre as linhas e a única diferença, foi que numa eu incluí uma semente de milho dos Andes que eu amigo me presenteou, essa linha, quando o milho começou a “embonecar”, que é florescência dele, ela começou a atrasar as bananas, os mamões, foi impressionante, como se tivesse atrofiado, até eu perceber já tinha as espigas e recebi retirar os milhos e toda a linha voltou a desenvolver, mas até hoje não tão bonito quanto a outra. Agora, as interações químicas que eu houveram eu não tenho condições para avaliar.

Então neste caso, estou com a Ana Primavesi, que neste livro pág 32 descreve mais técnicamente a questão, numa visão menos “romântica” como a do Ernst.

E na vida vegetal as mensagens são químicas: É um mundo silencioso mas eficiente e as vezes muito violente. O fundo da vida é químico. Inclusive os genes, nosso código genético,não são partículas mas mensagens químicas. Assim,.as brigas,as amizades, os gritos de horror e até os pedidos de socorro. São via substâncias químicas. Excretam elas pelas raízes para defender seu espaço como fazem todas as plantas da mesma variedade para garantir seu ‘quinhão de solo. Por isso duas variedades p.ex. de arroz plantadas alternadamente no mesmo campo rendem mais que uma, porque as raízes podem penetrar a no espaço da outra aumentando o volume de solo que pode ser aproveitado. Não somente exalam um suave perfume pelas flores para chamar as abelhas e outros insetos que ajudam na polenização, mas lançam também aerosois pelas folhas para se comunicar inclusive com insetos chamando socorro de seus amigos quando são atacados por pragas ou defendem o espaço ao seu redor como o fazem as laranjeiras, para não nascerem suas sementes abaixo delas: É tanto um amoro como u ma guerra química de potencial assustador . E isso ohomem tem de respeitar para não sofrer surpresas desagradáveis.


#8

Parabéns pelas pesquisas e pela disposição. Prosperidade irmão!