Agrofloresta em área sombreada


#1

A primeira área que implantarei um Saf, está rodeado por mata nativa, que acaba sombreando muito o local.

Para melhorar essa situação, teria que podar drasticamente as árvores ou até mesmo cortá-las (ainda não identifiquei as espécies para saber se existe alguma protegida).

Porem não me sinto confortável em corta ou podá-las (mesmo sabendo que a poda é benéfica) pois se tratam grandes árvores que gostaria de preservar.

Teria alguma outra alternativa? Plantar estratos médios e baixos, ou algo do tipo?


#2

Oi Lucas,

Em ambientes naturais de floresta com dossel formado você encontra próximo ao chão centenas de mudas e elas ficam lá sem desenvolvimento até haver o evento de “clareira”. Ou seja, sem luminosidade elas não se desenvolvem, o chamado vem quando uma espécie sai do sistema abrindo clareira. Acredito que todas espécies que você inserir, mesmo de estrato baixo sem clareira elas vão demorar ou muito ou não desenvolver. Faça uma pesquisa se o café ou limão cravo por ex se desenvolvem se estiverem na sombra 100% do seu ciclo de vida, eu creio que não.

Dentro a agricultura sintrópica, o que Ernst nos mostra é que um sistema envelhecido atrasa o desenvolvimento das demais espécies, portanto o manejo é de renovação com a poda, permitindo a entrada de luz solar e consequente desenvolvimento.

Acho que a primeira coisa é mudança de olhar sobre a floresta. Na nossa busca por nos inserir no ambiente floresta, queremos manejá-la e claro de uma forma consciente para que ela seja sustentável para si e para nós, caso contrário permanecemos com uma visão conservacionista e de separação, onde há floresta intocada(teoricamente) de um lado e ser humano de outro, normalmente produzindo efeitos devastadores.

Então para nos inserirmos nesse ambiente, aí entra a idéia do Ernst de Áreas de Inclusão Permanente, precisamos fazer da melhor forma para não gerar entropia nesse ambiente, ou seja, degradar o ambiente, embora seja inevitável num primeiro momento, mas que depois precisa retomar o caminho da Sintropia.

Pensando em como fazer isso, intuitivamente sugiro:

Fase 1:

  1. Mapeamento das espécies e sua distribuição na área
  2. Identificar matrizes ( indivíduos com características jovens, vigorosos, produzindo sementes)
  3. Identificar indivíduos na senescência
  4. Poda drástica (remoção) nos indivíduos em senescência
  5. Introdução das espécies de interesse da sua agrofloresta: frutas, madeira, nativas, etc.

Fase 2:

  1. Poda drástica nas matrizes que restaram para entrar mais luz

Bem, tudo isso é teoria, tá? Não tenho situação semelhante aqui. Por aqui o que tenho feito é inserir novas espécies em ambientes com certo nível de clareira e depois vou remover alguns individuos para entrar ainda mais luz e favorecer estas mudas.


#3

Muito obrigado pelos esclarecimentos Michel, me deu um bom norte para dar continuidade no trabalho.

Realmente, Ernst fala muito sobre esse ciclo de constante renovação, entretanto, ainda possuo receio em interferir nos processos naturais… acredito que por falta de experiência prática mesmo.