O que é adubação verde?

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#1

Ouvi falar, mas não está claro como ela funciona e os seus benefícios. Podem me explicar?


#2

A adubação verde é o uso de algumas espécies para melhorar a qualidade de nutrientes e vida microbiológica do solo, resultando numa adubação local que reduz a necessidade de adubação com insumos externos.

Existem alguns benefícios no uso da adubação verde:

Fixação de nitrogênio

O nitrogênio é um os três (nitrogênio N, fósforo P, potássio K) macro-nutrientes fundamentais para o desenvolvimento sadio de uma planta. Para entender como ele fica disponível no solo, é preciso entender o ciclo do nitrogênio.

Para que haja nitrogênio disponibilizado no solo, é necessário que ele seja capturado da atmosfera. Uma das formas, é através das leguminosas com o auxílio da bactéria risóbio. Através dessa relação simbiótica, as bactérias se fixam nas raízes da planta e convertem o nitrôgenio em amônia, que efetivamente é a forma consumida pelas plantas.

As espécies de leguminosas usadas na adubação verde são várias:

  • Crotalárias (juncea, breviflora, ochroleuca ou spectabilis)
  • Feijão de porco
  • Feijão guandu (forrageiro ou anão)
  • Lablab
  • Mucuna (cinza ou preta)
  • Tremoço branco

Em solos que estão muito degradados, pode ser necessário fazer a inoculação das bactérias rizobio.

Cobertura vegetativa

Solo bom, é solo coberto! Isso faz com que ele segure mais umidade e crie um ambiente que favorece a microfauna.

Portanto, a adubação verde é muitas vezes consorciada entre várias espécieis, sendo cada uma com um objetivo diferente.

Algumas espécies de crescimento rápido, visam fornecer matéria orgânica para melhorar a cobertura do solo, como é o caso do “margaridão” ou do próprio “capim”. No caso do margaridão, ele suporta solos pobres, diferentemente de um capim mombaça que requer solos mais ricos.

É fundamental ter uma cobertura significativa pois os processos de decomposição vão fazer com que a matéria orgânica “desapareça” rapidamente. Por isso, deve-se empregar espécies que suportam bem a poda recorrente, de forma a gerar sempre um saldo positivo de matéria orgânica.

Função ecofisiológica

Este aspecto ainda é pouco abordado, mas a função ecofisiológica faz com que a planta altere seu desenvolvimento em resposta as condições do ambiente.

Neste caso, o que se faz é usar uma espécie que tem como fim a adubação verde, por exemplo um capim mombaça e plantá-lo intercalado com rúculas. A rúcula pode ter a sua função ecofisiológica influenciada pela presença de uma outra espécie que altera as condições no espaçamento.

Por exemplo, com o capim próximo à rucula, ele pode fornecer sombra, quebra vento e alterar o micro-clima da rúcula.

Adubação arbórea

Podem ser empregadas muitas espécies arbóreas para produção de biomassa também. Nos SAFs tem se feito muito o uso do Eucalipto, que apresenta rápido crescimento. Tanto as folhas das podas como o tronco, podem ser usados para adubação.

Relembrando, que estão entre os conceitos da Agricultura Sintrópica:

Reproduzir as dinâmicas que ocorrem nos ecossistemas naturais.

Sendo assim, é feita a poda completa da árvores, tendo o seu tronco triturado ou cortado em pedaços para ser incorporado ao solo, semelhante ao processo que ocorre na natureza com a queda de uma árvore que derruba outras e disponibiliza a madeira no solo. Também observa-se que a maderia fornece muito recurso para a microfauna.

Algumas espécies tem sido empregos na agrofloresta:

  • Eucalipto
  • Bananeira (produz muita matéria orgânica)
  • Leucena ( Além de ser uma leguminosa, mas é exótica)
  • Guapuruvu
  • Mamona

Outras espécies para adubação verde

  • Nabo forrageiro
  • Capim elefante
  • Cana de açúcar
  • Mandioca
  • Campins ( Mombaça ou Tanzania)

#3

Só precisa tomar um pouco de cuidado com a Leucena pois é muito agressiva e dominante. Pense na crotalária e no feijão guandú taipeiro como uma ótima opção de adubo verde. No caso da crotalária ainda ajuda a combater o mosquito da dengue…